Por que este álbum existe?

Algumas histórias foram feitas para ser contadas. 
Outras, para ser vividas.

Este álbum nasceu para reunir pequenos fragmentos da história por trás dos Livros do Testemunho — O Caminho e O Chamado.

Aqui, você encontrará fotografias, lugares, memórias, músicas e pequenos relatos que fazem parte de uma caminhada que não foi construída apenas de grandes acontecimentos, mas também de detalhes que, com o tempo, revelaram a presença e a fidelidade de Deus.

Cada imagem guarda uma lembrança.
Cada lugar carrega uma história.
Cada pequeno relato aponta para algo maior.

Não encontrará aqui o livro inteiro — e nem poderia encontrar. Algumas histórias precisam ser lidas em suas páginas, com seus detalhes, suas lágrimas, suas perguntas, seus aprendizados e suas respostas.

Este álbum é apenas uma janela.

Uma forma de olhar para alguns dos momentos que fizeram parte desse caminho e perceber que, muitas vezes, aquilo que parecia apenas um acontecimento comum carregava um significado que só conseguimos compreender depois.

Há casas que se tornam respostas de oração.

Escadas que se transformam em lugares de encontro com Deus.

Árvores que passam a guardar memórias.

Profissões que surgem como direcionamento.

Livros que nascem de inquietações advindas do direcionamento espiritual.

Pessoas que aparecem no momento certo.

E situações que, enquanto acontecem, parecem não fazer sentido, mas que, olhando para trás, revelam que havia uma justa  e assertiva mão conduzindo cada detalhe.

Os  livros — O Caminho e O Chamado aqui contidos são, antes de tudo, um testemunho de que Deus continua escrevendo histórias através de pessoas bem comuns e até mesmo improváveis, isso você vai perceber com clareza acessando o Livro II - O Chamado.

Sinta este álbum como um convite para caminhar por alguns desses fragmentos comigo.

E talvez, ao percorrer estas páginas, você também se lembre de algo que Deus escreveu na sua própria história.

Porque, no fim, o testemunho não é apenas sobre o que aconteceu comigo.

É sobre aquilo que Deus pode fazer com uma vida que decide continuar caminhando.

Seja bem-vindo ao álbum de O Livro do Testemunho 

Verusca Queiroz
Escritas que abraçãm a alma

Abro um parêntesis para dizer que, talvez exista mais uma razão para eu ter decidido criar este álbum,— vivemos em um tempo em que histórias circulam muito rapidamente. Nas redes sociais, algumas experiências são aumentadas, outras são contadas de maneira diferente do que realmente aconteceram e, infelizmente, existem pessoas que criam ou exageram acontecimentos para ganhar visibilidade, conquistar seguidores ou vender alguma coisa.

Não escrevo isso para julgar ninguém, — algumas pessoas fazem isso, inclusive, acreditando que estão ajudando uma causa maior. Talvez pensem que precisam tornar a história mais extraordinária para que mais pessoas acreditem em Deus, — mas eu penso diferente.

Deus não precisa da nossa ajuda para ser Deus.

Ele não precisa que eu aumente uma história para torná-Lo maior, não precisa que eu invente um milagre para provar que Ele existe, e não precisa que eu acrescente detalhes a um testemunho para que alguém acredite.

Deus é quem Ele é.

E gosto de pensar em Deus como alguém completamente seguro de Sua própria identidade. Ele não precisa provar nada a ninguém. Não precisa de aplausos, de números, de seguidores ou de uma narrativa construída para sustentar quem Ele é.

Por isso, quando conto as histórias da minha vida, quero ter o cuidado de contar aquilo que realmente vivi, então eu conto:

O que eu lembro.

O que eu vi.

O que me foi dito.

O que aconteceu.

E também aquilo que eu não compreendi.

Eu creio que  um testemunho não precisa ser maior do que a realidade para ser poderoso, e foi também por isso que criei este álbum.

Algumas das histórias que aparecem no livro possuem fotografias, lugares e registros que podem ser vistos. Não para tentar convencer ninguém de que tudo o que vivi aconteceu exatamente como interpretei, mas para permitir que o leitor conheça um pouco dos cenários reais que fazem parte dessa caminhada.

As fotografias não provam Deus, não provam um milagre, não provam uma experiência espiritual. Elas simplesmente registram momentos reais da nossa história.

A interpretação daquilo que vivemos pertence à nossa experiência de fé, e eu acredito que existe beleza nisso, por isso se Ele fez, eu conto, se eu não compreendi, digo que não compreendi, se esperei, conto que esperei, se chorei, conto que chorei e se errei, também posso contar.

Eu tenho plena convicção que exatamente tudo que passei teve um para que, e se hoje olho para trás e reconheço a mão de Deus em acontecimentos que, naquele momento, eu não conseguia compreender, conto exatamente assim: olhando para trás.

Talvez seja essa a maior honestidade que posso oferecer a quem lê minhas histórias.

Não quero fabricar fé, quero compartilhar a minha.

Não quero criar acontecimentos extraordinários, quero registrar os acontecimentos que marcaram a minha caminhada e aquilo que eles significaram para mim.

Porque, no final, meu testemunho não precisa fazer Deus parecer maior.

E essa é uma das razões pelas quais escolhi chamar este espaço de álbum: aqui estão algumas das marcas visíveis de uma história que, em grande parte, foi construída por Ele, no invisível.

A Igreja onde tudo começou

A igreja foi muito mais do que o lugar onde congreguei, foi meu berço espiritual, ali eu aprendi a servir e a amar as pessoas de uma forma mais profunda, lá eu aprendia a desenvolver dons, a descobrir meu propósito.

Foi entre lágrimas, risos, ensaios, danças, teatro, projetos sociais e orações, que Deus escreveu capítulos da minha história.

Capítulos que jamais poderia contados apenas com palavras, — ali eu compreendi que o Evangelho não é apenas anunciado, ele é vivido. E cada vida tocada deixou marcas eternas em mim.

Foi na igreja que encontrei uma família espiritual e que Deus  moldou meu caráter, fortaleceu minha fé e me ensinou que servir ao próximo é uma das mais belas formas de adorá-Lo.

O “maior” serve ao “menor”, por isso Jesus veio e nos serviu tamanho banquete.

Muito do quem sou, hoje fluiu naquele ambiente de comunhão, aprendizado e serviço, onde a Graça de Deus (favor imerecido), mudou não apenas minha caminhada, mas também minha maneira de enxergar a ida, as circunstâncias e as pessoas.

Nosso Batismo

Nossa conversão não foi apenas um momento, ela foi o início de um relacionamento que transformou toda a nossa história.

Ao conhecer Jesus, descobrimos que a fé não se resume a frequentar uma igreja, mas a viver uma vida em Cristo. A cada passo, Deus foi moldando o nosso coração e ensinando-nos a confiar, a servir e a compreender que o Seu amor alcança todas as dimensões da vida.

O que começou como uma decisão tornou-se um propósito que continua sendo vivido e escrito diariamente.

E, aos poucos Cristo tornou-se o divisor de águas das nossas vidas. Não porque nos emocionamos em Sua presença, ou porque os problemas desapareceram, mas porque aprendemos a amá-lo acima de todas as coisas, e porque passamos a enfrentar os problemas de maneira diferente.

Nós verdadeiramente passamos a olhar para as adversidades com outros olhos.

Na caminhada com Deus, aprendemos que a verdadeira transformação acontece de dentro para fora, e foi nesse encontro com Jesus que encontramos direção, identidade e um propósito maior do que os nossos próprios sonhos.

Desde então, cada capítulo da nossa história passou a revelar a fidelidade de Deus, e o maior milagre que vivemos não foi um acontecimento extraordinário, mas a transformação diária que Deus realizou e vem realizando em mim, no meu esposo e nos nossos filhos.

O ministério de dança e teatro
A dança desde os 6 anos de idade
Nossa primeira casa 
Abrigo de devocional
Minha Bíblia amadaA casa que Deus nāo nos permitiu morar
A casa da palmeiras
A casa que oramos por 8 anos
Acesse o Qrcode 

Durante oito anos, oramos por uma casa que parecia distante da nossa realidade. Houve espera, medo, mudanças de planos e momentos em que pensei que aquele desejo simplesmente não aconteceria.

Até que, de uma maneira absolutamente inesperada, a mesma casa que um dia parecia impossível voltou para o nosso caminho.
Hoje, quando estamos em Fortaleza moramos nela.
Mas o mais interessante não é a casa que recebemos.
É tudo o que Deus fez em nós durante os oito anos em que oramos por ela.
Essa é mais uma das histórias de O Livro do Testemunho — O Caminho.
A varanda
Aqui pedi que não cortassem o cajueiro
O nosso cajueiro

Existem coisas que, para quem olha de fora, parecem pequenas, a exemplo, um cajueiro.

Para alguns, é apenas uma árvore, mas para nós, ele se tornou parte da nossa história.

Minha filha Vitória, que nasceu naquela casa, sempre teve um carinho muito especial por aquele cajueiro. Talvez porque algumas coisas deixem de ser apenas coisas quando estão ligadas às nossas memórias — passando a carregar afetos, momentos, lembranças e pessoas.

Hoje, quando olho para aquele cajueiro, penso em como algumas respostas de Deus não chegam acompanhadas de grandes acontecimentos.

Às vezes, elas simplesmente permanecem em uma árvore que continua de pé, nas folhas que continuam nascendo, nas sombras que continuam existindo, e em uma história que continua sendo escrita.

Talvez por isso Vitória tenha escrito uma música sobre ele, porque em determinado momento da vida, ela percebeu que aquele cajueiro havia se transformado em uma metáfora para os desejos que carregamos no coração.

Na música que Vitória escreveu:

“Cada folha desse cajueiro veio de um desejo meu.”

E talvez seja exatamente isso.

Cada folha nos lembra que aquilo que amamos também carrega histórias, alguns desejos chegam a florescer e outros precisam ser entregues.

Alguns permanecem e outros precisam partir.

Mas uma coisa é certa: Deus continua presente em todos os processos.


As palmeiras — um mimo recebido

A Educação Fisica

A Educação Física foi uma das primeiras ferramentas que Deus colocou em minhas mãos para cuidar de pessoas.

Durante muitos anos, ensinei que um corpo saudável melhora a qualidade de vida, fortalece autoestima e amplia a capacidade de enfrentar os desafios do dia a dia.

Naquela época, eu acreditava que meu chamado estava relacionado apenas ao movimento, à saúde e ao bem-estar físico, mas com o tempo comecei a me sentir vazia...

O que eu não imaginava era que Deus estava me preparando no caminho, para algo inimaginável, e hoje compreendo que, antes de me ensinar a cuidar da mente e da alma por meio da psicologia, do aconselhamento pastoral e da mentoria, Ele me ensinou a cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo.

Ali, naquele lugar de personal, eu vivi momentos únicos, eu ouvia dores, alegrias, vitórias e percebia traumas...

Ali era compartilhando intimidade de ambas as partes.

Hoje eu sei que nada e nem nenhuma formação minha foi perdida.

Tenho certeza que cada aula, cada aluno, cada desafio e cada experiência fizeram parte da formação da mulher que me tornei, e olhando para trás, percebo que Deus nunca desperdiça nada.

Cada fase é uma preparação para a próxima, — e cada aprendizado encontra seu lugar dentro de nós e dentro do propósito.

Naquele tempo eu ajudava pessoas a fortalecerem o corpo, e sem saber, Deus já estava fortalecendo minha alma para cuidar de muitas outras vidas que viriam.

Aula de Body Pump
Lançamento de Body Combat
Aula de Body Combat
Antes de nos mudar pra São Luís
A "doença"misteriosa da Vitória

Antes de nos mudarmos para São Luís, vivemos um período que marcou profundamente a nossa família: Vitória começou a apresentar sintomas que, durante algum tempo, pareciam não ter explicação.

Foram dias de preocupação, consultas, exames e muitas perguntas. Havia algo acontecendo, mas não conseguíamos compreender exatamente o que era.

Enquanto buscávamos respostas, também aprendíamos a esperar e a confiar em Deus.

Aquela experiência, que inicialmente parecia apenas mais uma preocupação familiar, acabou se tornando parte importante do caminho que nos conduziu para aquilo que Deus estava preparando.

Hoje, olhando para trás, consigo perceber que nem sempre conseguimos compreender o que Deus está fazendo enquanto estamos vivendo determinada situação.

Algumas respostas só aparecem depois.

E aquele período com a Vitória foi uma dessas experiências que nos ensinaram que, mesmo quando não entendemos o que está acontecendo, Deus continua presente no caminho.

A escada  como lugar de oração 
Aqui entreguei meus medos a Deus


Foi nessa escada que muitas vezes parei para conversar com Deus, e foi ali que abri meu coração e revelei meus medos, minhas preocupações e tudo aquilo que eu não conseguia controlar.

Entre uma preocupação e outra, eu subia aqueles degraus e conversava com Ele — ali, derramei lágrimas dentro e fora da pandemia, apresentei sonhos, entreguei o que não podia controlar e pedi direção para aquilo que ainda não conseguia compreender.

E foi naquela escada que entreguei a Deus um medo muito específico: o medo de mudar de condomínio. Eu tinha receio de deixar para trás a casa que conhecíamos, as pessoas que amávamos, a segurança que havíamos construído e toda a rede de afeto que fazia parte da nossa vida.

Mudar não significava apenas trocar de endereço. Para mim, significava abrir mão do conhecido e caminhar em direção a algo que eu ainda não conseguia enxergar.

Foi ali, naquela escada, que comecei a entregar esse medo ao Senhor. Eu orava, chorava e conversava com Deus. Pedia que Ele cuidasse da nossa família e me desse coragem para obedecer, caso aquela mudança realmente fizesse parte dos Seus planos.

Hoje, quando olho para aquela escada, não vejo apenas degraus.

Vejo um lugar de entrega.

Foi ali que aprendi, mais uma vez, que oração não é apenas pedir para Deus mudar as circunstâncias. Às vezes, é permitir que Ele mude primeiro o nosso coração para que consigamos atravessar as circunstâncias.

O outro lado do muro 
(leia relato no Livro)
A Psicologia

A Psicologia nunca foi um sonho que eu carreguei. Não fazia parte dos meus planos, não era uma profissão que eu imaginava exercer e, durante muito tempo, eu sequer pensava que esse seria um caminho para mim.

Ela chegou de outra maneira: como um direcionamento.

Naquele momento, eu talvez não compreendesse completamente por que Deus estava me conduzindo naquela direção. Hoje, olhando para trás, consigo perceber que aquilo que parecia apenas mais uma escolha profissional fazia parte de algo muito maior.

A Psicologia me permitiu compreender melhor o ser humano, suas emoções, seus pensamentos, seus comportamentos e as histórias que existem por trás de cada pessoa. Com o tempo, aquilo que um dia não havia sido um desejo tornou-se uma ferramenta que hoje utilizo para acolher, compreender, pesquisar, ensinar e contribuir com a transformação de vidas.

Hoje entendo que nem tudo aquilo que Deus coloca diante de nós nasce de um desejo que já carregávamos. Algumas coisas nascem de uma direção que, inicialmente, não compreendemos.

E talvez essa seja uma das belezas do caminho: descobrir, depois de algum tempo, que aquilo que não planejamos pode se tornar exatamente aquilo que precisávamos viver.

Confiar Nele é sempre a melhor opção.

Ele disse que era pra aconselhamento pastoral, e hoje a uso onde quer que eu esteja.

E hoje, olhando para trás, consigo compreender um pouco mais do propósito que havia por trás daquele caminho.

A Clínica

Lugar de cura, serviço, direcionamento, escuta e escrita, — a clínica também faz parte desse caminho.

Mais do que um espaço de atendimento, ela se transformou, para mim, em um lugar de encontro com histórias. Histórias que chegam muitas vezes carregadas de dor, confusão, medo, perdas e perguntas que ainda não encontraram respostas.

É um lugar de escuta.

Escuta atenta, respeitosa e cuidadosa, onde cada pessoa pode encontrar espaço para falar aquilo que, muitas vezes, não conseguiu dizer em nenhum outro lugar.

É também um lugar de direcionamento. Não porque eu tenha todas as respostas, mas porque, através da escuta e do processo terapêutico, muitas pessoas conseguem começar a enxergar caminhos que antes pareciam invisíveis.

E existe algo que sempre esteve muito presente na minha própria história: a escrita.

Escrever sempre foi uma forma de organizar pensamentos, nomear sentimentos, elaborar experiências e transformar aquilo que estava dentro em palavras. Talvez por isso a escrita tenha encontrado um lugar tão natural dentro da clínica.

Palavras podem revelar aquilo que ainda não conseguimos compreender.

Podem organizar o que parece confuso.

Podem dar nome ao que durante muito tempo foi apenas dor.

E podem, muitas vezes, marcar o início de um novo caminho.

Por isso, quando penso na clínica, penso em um lugar de escuta, elaboração, direcionamento e transformação.

O Mestrado

O mestrado: parte do plano de Deus

Quando penso no meu mestrado, percebo que ele também não foi apenas uma conquista acadêmica. Foi mais uma etapa do caminho que Deus estava construindo para mim.

Naquele momento, talvez eu enxergasse apenas uma oportunidade de continuar estudando, aprofundar meus conhecimentos e crescer profissionalmente. Hoje, porém, olhando para trás, consigo perceber que havia muito mais acontecendo.

Deus estava ampliando a minha visão.

Cada estudo, cada leitura, cada pesquisa e cada desafio acadêmico foi me preparando para compreender o ser humano de maneira mais profunda e para ocupar espaços que, naquele momento, eu ainda nem imaginava.

O mestrado em Psicologia Clínica e Aconselhamento tornou-se uma etapa importante da minha formação e também da minha compreensão sobre aquilo que eu havia sido direcionada a fazer.

Aprendi que conhecimento também pode ser uma ferramenta de serviço.

Que estudar não precisa ser apenas uma busca por títulos, mas pode ser uma forma de se preparar para cuidar melhor, escutar melhor, pesquisar melhor e contribuir de maneira mais responsável com a vida de outras pessoas.

Hoje compreendo que algumas portas que Deus abre não parecem espirituais à primeira vista.

Elas podem vir acompanhadas de livros, provas, trabalhos, pesquisas, viagens, cansaço e horas de estudo.

Mas, quando olhamos para trás, percebemos que até essas coisas faziam parte do caminho.

O mestrado não estava isolado da minha história.

Congresso onde recebi a palavra 
advinda de quem nunca imaginei
A internação da Vitória 
Em meio ao meu Mestrado

Enquanto eu cursava o mestrado, vivi um daqueles momentos em que a vida parece exigir que estejamos em dois lugares ao mesmo tempo.

Eu estava envolvida com os estudos, com as responsabilidades acadêmicas e com tudo aquilo que aquela etapa exigia de mim. Mas, ao mesmo tempo, minha filha Vitória precisou ser internada.

De repente, aquilo que parecia ser apenas mais uma etapa da minha formação acadêmica tornou-se também um período de grande tensão emocional.

Como mãe, meu primeiro impulso era voltar para o Brasil.

Eu queria estar perto.

Queria acompanhar tudo de perto, cuidar, proteger e fazer aquilo que uma mãe deseja fazer quando percebe que seu filho está passando por uma situação difícil.

Mas eu estava diante de uma decisão muito dolorosa: permanecer e concluir aquilo que eu havia começado ou abandonar tudo e voltar para casa.

E foi exatamente nesse momento que experimentei uma graça que, até hoje, reconheço como cuidado de Deus.

Ele enviou alguém.

Uma pessoa que apareceu naquele momento e me ajudou de uma maneira que eu jamais conseguiria planejar. Sua presença tornou possível que eu permanecesse onde estava sem sentir que estava abandonando minha filha.

Aquilo me ensinou algo que só compreendi plenamente depois: Deus não apenas nos chama para determinados caminhos; Ele também providencia graça para que consigamos atravessá-los.

Eu não precisava escolher entre amar minha filha e cumprir aquela etapa da minha vida.

Minha Internação

Houve um momento em que a minha própria experiência de adoecimento me colocou diante de perguntas que eu não conseguia responder apenas com aquilo que eu havia aprendido sobre Deus.

Até então, eu havia desenvolvido uma teologia construída também a partir das minhas experiências. Eu cria em um Deus que cura, que livra, que responde às orações e que protege os Seus. E eu continuava crendo nisso.

Mas então eu adoeci e, dessa vez, a pessoa que precisava ser cuidada era eu.

Minha internação me colocou em um lugar de vulnerabilidade que eu não havia escolhido. Eu, que tantas vezes havia orado por outras pessoas, aconselhado, ensinado e falado sobre fé, agora precisava aprender a permanecer diante de Deus sem ter o controle daquilo que estava acontecendo comigo.

Foi um confronto, mas não um confronto para destruir a minha fé, mas para aprofundá-la.

Deus começou a confrontar algumas certezas que eu havia construído. Não porque fossem necessariamente falsas, mas porque eram pequenas demais para conter a complexidade de quem Ele é.

Eu precisei aprender que Deus continua sendo Deus quando cura e quando permite que atravessemos um processo.

Que a Sua fidelidade não pode ser medida apenas pelas respostas que recebemos.

Que a fé não é uma fórmula capaz de fazer Deus agir exatamente como esperamos.

E que confiar nEle significa também permanecer quando não compreendemos.

O Doutorado

Quando penso no doutorado, percebo que essa etapa também não surgiu isoladamente na minha história. Ela veio como continuidade de um caminho que Deus já vinha construindo há muitos anos, e mais do que isso, foi um caminho explicitamente direcionado, — você encontra mais detalhes no Volume II desse livro.

Depois da graduação, do Mestrado, e da clínica eu já havia aprendido que estudar não era apenas acumular títulos. Cada nova etapa ampliava minha capacidade de compreender, pesquisar e servir.

O doutorado, porém, trouxe uma dimensão diferente.

Ele me colocou diante de perguntas maiores e me fez perceber que algumas inquietações que carregava dentro de mim precisavam deixar de ser apenas perguntas pessoais e se transformar em investigação.

Foi nesse processo que comecei a aprofundar minha pesquisa sobre espiritualidade e saúde mental.

Quanto mais eu estudava, mais percebia a complexidade do tema. A espiritualidade pode ocupar lugares muito diferentes na experiência humana. Pode ser fonte de sentido, esperança e acolhimento, mas também pode ser vivida de maneiras que produzem sofrimento. Essa compreensão ampliou ainda mais minha responsabilidade como psicóloga e pesquisadora.

O doutorado tem me ensinado a respeitar as perguntas e as respostas e , — nem toda pergunta precisa receber uma resposta imediata. Algumas precisam ser investigadas com rigor, humildade e disposição para descobrir que aquilo que imaginávamos saber talvez precise ser ampliado.

E isso também foi parte da minha caminhada com Deus.

Porque estudar profundamente não diminuiu a minha fé. Ao contrário, muitas vezes me fez perceber o quanto ainda tenho para aprender.

Os mimos que Ele me faz
 Pajero que chorei para não ter
Hoje, clamo para não perder kkkk

Existem momentos da nossa história que, quando olhamos para trás, parecem até engraçados. Outros nos fazem perceber como Deus trabalha também através de coisas que, naquele momento, parecem pequenas.

A Pajero foi uma dessas histórias.

Eu chorei para não ter aquela Pajero.

Hoje, curiosamente, eu clamo para não perdê-la.

A vida tem dessas coisas.

Aquilo que um dia rejeitamos pode se tornar aquilo que aprendemos a agradecer.

E talvez seja justamente aí que estejam alguns dos maiores ensinamentos sobre os chamados “mimos” de Deus.

Ao longo da nossa caminhada, tivemos momentos em que recebemos coisas que não eram necessariamente necessidades. Eram presentes. Cuidados. Pequenas delicadezas que chegaram em momentos específicos e que, de alguma maneira, me fizeram perceber que Deus também se importa com aquilo que alegra o coração dos Seus filhos.

Não acredito que Deus seja um Deus de luxo ou que bênçãos materiais sejam prova de espiritualidade.

Mas também não acredito que devamos ter vergonha de reconhecer quando recebemos um presente.

Houve a Pajero.

Houve o relógio que encontramos.

Houve outros pequenos presentes e situações que, quando colocados lado a lado, me fizeram perceber que existem momentos em que Deus simplesmente nos surpreende.

Não porque precisamos daquilo para saber que Ele nos ama.

Mas porque Ele também sabe nos mimar.

O Microfone que perdi
O Relógio que perdi 
A Biblia do Pastor Eliel

Nossa Ordenação Pastoral
Deus foi nos buscar em casa

Durante muitos anos, oramos até sobre um desejo pastoral.

Houve confirmações, esperas, portas que pareciam se abrir e outras que permaneciam fechadas. Também houve momentos em que precisamos escolher entre o reconhecimento humano e aquilo que acreditávamos que Deus havia colocado em nosso coração.

Anos depois, finalmente vivemos aquilo que durante tanto tempo havíamos esperado.

Mas a ordenação foi apenas o desfecho visível de um processo que havia começado muitos anos antes.

O que aconteceu entre o chamado e a ordenação é uma história que merece ser contada.

Essa história está em O Livro do Testemunho — O Chamado.

A vocação da minha filha
Ela voltou pra medicina

Minha filha chegou a iniciar outro caminho, mas, depois de algum tempo, decidiu obedecer a Deus e voltar para aquilo que, desde cedo, parecia fazer parte da sua história: a Medicina.

Houve dúvidas, mudanças de direção e uma decisão que, naquele momento, parecia definitiva. Até que uma experiência inesperada trouxe novamente à tona uma pergunta que ela já conhecia: e se a Medicina ainda fosse o seu caminho?

Ela voltou.

Hoje, olhando para trás, percebo que aquela volta não foi simplesmente uma mudança de curso. Foi parte de um processo de compreensão sobre vocação, escolhas, medos e propósito.

Algumas histórias de vocação não são lineares. Às vezes, precisamos nos afastar de um caminho para compreender por que ele continua nos chamando.

A história completa dessa experiência — e da palavra que marcou profundamente aquele retorno — está em O Livro do Testemunho — O Caminho.

Nossos livros
O X da Oração

Magnífica Palavra volume I
Magnífica Palavra Volume II
Magnífica Palavra volume III

Os livros que Deus me guiou a escrever

A escrita entrou na minha vida de uma maneira que, olhando para trás, percebo que também foi direção.

Eu não comecei a escrever livros com um projeto perfeitamente planejado, pensando em quantas obras publicaria ou em qual seria o próximo título. As coisas foram acontecendo. Uma experiência gerava uma reflexão, uma reflexão se transformava em palavras e, pouco a pouco, essas palavras começaram a ganhar forma de livro.

Hoje percebo que cada obra nasceu de um lugar diferente da minha caminhada.

Alguns livros nasceram das experiências que vivi. Outros, das perguntas que carreguei. Outros, dos estudos e das inquietações que Deus colocou no meu coração.

E foi assim que compreendi que escrever também poderia ser uma forma de servir.

Não quero escrever simplesmente para ter livros publicados. Quero que cada livro tenha uma razão para existir. Que ele carregue uma mensagem, provoque uma reflexão, acolha alguém ou ajude uma pessoa a enxergar uma questão da vida por uma perspectiva diferente.

Quando olho para os livros que já escrevi e para aqueles que ainda estão sendo construídos, percebo que existe uma linha que os conecta: eles nasceram do caminho.

Nada parece ter acontecido isoladamente.

A Psicologia, a pesquisa, a espiritualidade, a clínica, as experiências familiares, as perguntas e até os períodos de silêncio foram formando o conteúdo que hoje aparece nas minhas páginas.

Por isso, quando me perguntam de onde vêm os meus livros, talvez a resposta mais verdadeira seja simples: eles vêm daquilo que Deus foi colocando no meu caminho.

AMCLAM
Academia Maranhense de Letras e Artes Militares

Minha chegada à Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes do Maranhão — AMCLAM também faz parte desse  caminho que Deus vem construindo em minha vida.

Mais do que ocupar uma cadeira ou receber um título, compreendo essa oportunidade como uma possibilidade de servir através daquilo que Deus me permitiu construir: a Psicologia, a pesquisa, a escrita, os livros e as experiências que foram formando minha trajetória.

A Academia representa, para mim, um espaço de encontro entre conhecimento, cultura, ciência, literatura e produção intelectual. E estar ali me faz pensar não apenas no que já construí, mas principalmente no que ainda posso oferecer.

Acredito que conhecimento também carrega responsabilidade.

Tudo aquilo que aprendemos, pesquisamos e produzimos pode permanecer apenas como conquista pessoal ou pode se transformar em contribuição para outras pessoas e para a sociedade.

É nesse segundo caminho que desejo permanecer.

Minha presença na AMCLAM, portanto, não é apenas uma realização acadêmica ou institucional. É também uma oportunidade de continuar escrevendo, pesquisando, compartilhando conhecimento e deixando algo que ultrapasse a minha própria história.

Quando olho para trás, percebo que muitos caminhos que hoje parecem conectados não nasceram de um acaso.

Hoje escrevo com a chancela da Academia
Me sinto honrada.

Gratidão

Chegar até aqui não foi obra de uma pessoa só, por isso, antes de qualquer coisa, quero agradecer a Deus.

A Ele, toda a minha gratidão por cada porta que abriu, por cada caminho que me permitiu percorrer, por cada pessoa que colocou na minha história e também por cada porta que fechou quando eu ainda não conseguia compreender o porquê.

Se hoje existem páginas para contar, é porque antes delas existiram caminhos, lágrimas, aprendizados, encontros, desencontros, esperas e muitas respostas de oração.

Agradeço também a você, que chegou até aqui comigo.

Obrigada por abrir estas páginas, por caminhar um pouco pela minha história e por permitir que aquilo que vivi encontre espaço também na sua vida.

Talvez você tenha se reconhecido em alguma experiência. Talvez tenha lembrado de algo que Deus já fez por você. Talvez alguma história tenha despertado uma pergunta, uma lembrança ou simplesmente a vontade de continuar caminhando.

Se isso aconteceu, então estas páginas já encontraram um propósito.

Porque testemunhos não existem apenas para falar sobre quem os viveu.

Eles também podem lembrar quem lê de que Deus continua escrevendo histórias.

Obrigada por caminhar comigo.

E, acima de tudo, obrigada a Deus, porque, quando olho para tudo o que já percorri, só consigo concluir: até aqui, foi o Senhor que me sustentou.


— Verusca Queiroz

Escritas que abraçam a alma


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