Diante da respiração curta de quem não vive, apenas sobrevive, busque um fôlego mais profundo — aquele de quem procura, entre o caos e o cansaço, alcançar a própria alma… e a ela dar colo.
Ser mãe, muitas vezes, é caminhar com o coração fora do corpo.
É perder o alcance da própria visão.
É abrir mão da autoprovisão e viver em estado quase permanente de entrega e renúncia.
Ser mãe — na maioria das vezes — é estar cansada de um jeito que só quem vive entende: a alma não descansa, e o sono não resolve.
Porque não é apenas o corpo que pesa.
É a mente que ruge.
São emoções latentes.
Culpa silenciosa.
Sensação constante de insuficiência.
Há dias em que tudo parece demais.
Barulho demais.
Demandas demais.
Preocupações demais.
A responsabilidade de formar alguém enquanto você mesma ainda está em obra, tentando se reconstruir por dentro, é, no mínimo, um processo delicado.
Mas, ainda assim, existe algo quase sagrado escondido nessa exaustão.
Existe um mistério profundo na maternidade que só o tempo revela.
E ele revela você.
Um dia, com o coração mais amadurecido e o olhar mais sereno, muitas de nós perceberemos que os filhos não vieram apenas para serem cuidados — vieram para nos transformar.
Vieram para romper camadas do nosso egoísmo.
Para deslocar o centro do nosso mundo.
Para nos ensinar um amor que não negocia, que não calcula, que não depende de retorno.
Vieram para nos salvar de nós mesmas.
Salvar da pressa.
Da vaidade excessiva.
Da futilidade de viver apenas por viver.
Do controle — e do descontrole.
Da ilusão de que somos o centro do mundo.
Os filhos vêm para nos salvar dos desejos desmedidos e da dureza do coração.
Eles nos expõem.
Revelam nossas fragilidades, limites e sombras.
Mas também revelam nossa capacidade, coragem, resiliência e fé.
Ao mesmo tempo em que despertam uma força hercúlea, despertam sensibilidade e leveza.
Na verdade, eles continuamente nos montam e nos desmontam.
Eles nos modelam — e, por nós, são modelados.
Por isso, mãe, tenha calma com você.
Até o último dia da sua existência, você estará aprendendo sobre si.
Aprendendo sobre seu filho.
Aperfeiçoando o ser mãe.
Cada filho é único.
Cada fase carrega sua própria beleza e singularidade — e traz consigo um ensinamento.
Nem todo dia será leve.
Nem toda fase será bonita.
Haverá cansaço, frustração, dúvidas, medo e até vontade de desistir.
Isso é humano.
Quem nunca?
Eu já — muitas e muitas vezes. E está tudo bem. Isso é ser humana.
Mas eu tenho uma boa notícia: tudo passa.
As noites longas passam.
As fases difíceis passam.
As inseguranças passam.
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
E quase sempre o que permanece é algo muito maior do que o desgaste do caminho.
Permanece o vínculo.
As memórias.
O amor.
Uma história entrelaçada para sempre.
À luz de Deus, ser mãe não é apenas um papel — é uma experiência espiritual.
É um chamado.
É um propósito.
É participar de um processo de formação que atinge não apenas o filho, mas também você — e as futuras gerações. Seu legado alcança filhos, netos e bisnetos.
É um convite diário ao amor, à renúncia e à fé.
Uma convocação constante a confiar que, mesmo nos dias em que você se sente pequena, insuficiente ou perdida, há um propósito maior sendo manifestado.
E quando o dia terminar, e você deitar a cabeça no travesseiro com o corpo cansado e o coração cheio, lembre-se:
Você não está falhando.
Você está sendo formada.
A maternidade não está apenas moldando seu filho — está moldando você.
Está lapidando sua fé.
Alargando seu amor.
Ensinando você a depender mais de Deus e menos da própria força.
Nos dias em que tudo parecer pesado demais, não duvide do processo — nem de Quem está com você nele.
Lembre-se de Deus.
Lembre-se do Espírito Santo.
Lembre-se de Jesus.
O que hoje é cansaço, amanhã será memória.
O que hoje é dúvida, amanhã será testemunho.
Um conselho?
Continue.
Respire.
Confie.
Porque enquanto você acredita que está apenas criando um filho… Deus está fazendo de você um testemunho vivo: uma mulher mais forte, mais sensível e mais cheia de propósito.
E isso, mãe, é transformação.
É legado.
É eterno.
— Verusca Queiroz | Escritas que abraçam almas

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