Liberdade?


Você sabe que a sua "liberdade"cobra um preço? 

Vivemos tempos de tanta “liberdade” que tudo nos ofende —

e, ao mesmo tempo, nada do que fazemos deveria incomodar o outro.

Estamos tão centrados em nós mesmos que nos esquecemos de tudo o que foi enfrentado para que chegássemos à tão sonhada liberdade que temos hoje.

Com insensatez, passamos a usá-la em causa própria e de forma desmedida:
para falar com arrogância, humilhar, destratar, julgar sem reservas, difamar e desrespeitar.

Usamos a “liberdade” para trair, manipular, satisfazer desejos, expor o corpo, embriagar-se, justificar irresponsabilidades — até mesmo para decidir sobre a vida como se tudo fosse apenas uma questão de direito individual.

Pobres de nós.
Presos aos próprios interesses ocultos e mundanos, que alimentam a carne e adoecem a mente, a alma e o espírito, seguimos usufruindo de uma liberdade confundida com libertinagem.

Ter liberdade para…
Mas será que aprendemos a ser livres de?

Livres dos vícios?
Livres da necessidade de aprovação?
Livres da mentira que contamos a nós mesmos?
Livres do ego que nos governa?

A liberdade que muitos defendem tem trazido correntes invisíveis:
sexo sem responsabilidade, pornografia, drogas, álcool…
mas também vícios mais “aceitáveis” — ministério, trabalho, poder, fama, dinheiro, likes.

Tudo o que vicia não traz liberdade.
Traz prisão.

E a pior prisão é aquela que não tem grades aparentes.

Nossos antepassados enfrentaram máscaras de ferro, ditaduras, perseguições e celas físicas.
Hoje, muitos de nós nos entregamos voluntariamente a cárceres mentais e espirituais.

O cárcere agora é invisível.
É psicológico.
É fisiológico.
E quem está preso, muitas vezes, sequer percebe.
E quando percebe, já não encontra forças para sair.

Não conhecemos a história.
Não honramos os que sofreram antes de nós.
E ainda zombamos de quem valoriza princípios.

Enquanto isso, ao nosso lado, existem pessoas maquiadas de sorriso, com fotos impecáveis e perfis influentes, sofrendo silenciosamente.
Vivem o que ninguém vê.
E nós as admiramos, querendo ser como elas.

E elas?

Muitas não conseguem enfrentar suas próprias dores.
Não validam seus sentimentos.
Não assumem suas fragilidades.
Para não ceder à pressão do mundo, tornam-se parte da manada:
“todo mundo faz”,
“todo mundo é assim”,
“todo mundo finge”.

E seguem fingindo.

Sem refletir.
Sem medir consequências.
Sem confrontar suas próprias fraquezas.

Vivem uma liberdade escrava.
Usam o livre-arbítrio para cavar o próprio vazio.

Mas eu te pergunto:

Você é livre — ou apenas faz o que todos fazem?

Suas escolhas nascem de convicção ou de carência?

Você controla seus desejos — ou é controlado por eles?

O que você chama de direito… não estaria mascarando irresponsabilidade?

Quantas decisões você já justificou em nome da “liberdade”, mas no fundo sabia que eram fuga?

Você tem coragem de ficar sozinho com seus pensamentos?

Se ninguém estivesse olhando, você ainda escolheria o mesmo caminho?

E, principalmente:
sua liberdade tem produzido paz — ou ansiedade?
tem gerado propósito — ou vazio?

Para mudar o senhorio, é preciso proteger a mente e o espírito.
Para mudar a colheita, é preciso mudar a semente.

É preciso reconhecer a identidade.
Resgatar princípios.
Praticar valores.

Pobres de nós —
que só percebemos a morte no outro,
mas não enxergamos a auto-morte silenciosa que acontece dentro de nós.

Cheios de razão, distração e orgulho, seguimos prisioneiros do próprio ego —
sem enxergar um palmo além do nariz.

Acreditamos ser livres.
Acreditamos ser fortes.

Mas força não é esconder dor.
Força é confrontar a própria prisão.

Liberdade não é fazer tudo o que se quer.
É não ser dominado por nada.

Talvez a verdadeira revolução desta geração não seja gritar por direitos —
mas reaprender a viver com responsabilidade, consciência e domínio próprio.

Porque a liberdade que não constrói caráter
destrói destino.

E no fim, a pergunta não será
“o que eu tive direito de fazer?”

Mas sim:
“o que minhas escolhas fizeram de mim?”



— Verusca Queiroz | Escritas que abraçam almas

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